O mercado brasileiro projeta um cenário de movimentação intensa para a Páscoa de 2026. De acordo com o levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, aproximadamente 106,8 milhões de brasileiros pretendem ir às compras. Esse volume representa um crescimento nominal de 4,2 milhões de pessoas em comparação ao ano anterior, consolidando a data como um dos pilares do varejo nacional.
Embora o entusiasmo seja evidente, o setor observa uma mudança qualitativa nas prioridades. Pela primeira vez em ciclos recentes, a qualidade do produto (45%) superou o preço (44%) como o principal fator de decisão, indicando que o público empresarial deve focar em valor agregado e experiência de compra para capturar a atenção desse novo perfil de cliente.
Preferências de consumo e a ascensão do mercado artesanal
Os tradicionais ovos de chocolate industrializados ainda lideram a preferência de 56% dos consumidores, seguidos de perto por bombons e barras. Entretanto, nota-se um fortalecimento expressivo do segmento artesanal e caseiro. Cerca de 40% dos brasileiros demonstram intenção de adquirir ovos de fabricação própria, motivados pela busca por personalização e exclusividade.
O ticket médio previsto para este ano é de R$ 253, com uma cesta de compras composta por cerca de cinco itens. Esse comportamento diversificado reflete o desejo de presentear não apenas filhos e cônjuges, mas também a si mesmo, já que o “autopresente” atingiu a marca de 33% das intenções de compra.
Dinâmica de Canais: Físico versus digital
No que diz respeito aos locais de compra, o varejo físico mantém sua hegemonia, sendo o destino escolhido por 95% dos compradores. Os supermercados e lojas especializadas continuam no topo da lista pela conveniência e pronta entrega. O ambiente digital exerce um papel fundamental na jornada do cliente, pois 62% utilizam a internet para pesquisar preços e comparar opções antes de sair de casa. Contudo, a conversão final ainda ocorre majoritariamente no PDV (Ponto de Venda), com apenas 25% das transações sendo finalizadas online.
O Desafio do planejamento financeiro e formas de pagamento
Um dado relevante para os gestores é a forma de pagamento predominante: 77% das transações serão realizadas à vista, com o PIX consolidado como a ferramenta favorita de 56% do público. Para aqueles que optarão pelo parcelamento, a média de prestações gira em torno de quatro parcelas.
Contudo, o otimismo das vendas divide espaço com um alerta sobre o endividamento. O levantamento aponta que 51% das pessoas que não irão comprar nesta Páscoa justificam a decisão pela necessidade de quitar dívidas acumuladas. Entre os que pretendem consumir, 38% possuem contas em atraso, o que exige das empresas estratégias de crédito responsáveis e ofertas que caibam no orçamento familiar.
A Força da tradição na mesa dos brasileiros
Além do setor de doces, a Páscoa de 2026 impulsiona significativamente o mercado de alimentos em geral. A tradição de pratos típicos é mantida por 78% dos brasileiros, com destaque absoluto para o consumo de peixes como bacalhau, salmão e atum. Esse movimento é particularmente forte entre as classes A e B, além do público Baby Boomer.
Em suma, o sucesso comercial nesta data dependerá da capacidade do lojista em gerenciar o estoque para a “janela de última hora”, uma vez que 45% dos consumidores deixam para realizar suas compras na própria semana do evento. Campanhas agressivas e um atendimento consultivo no período final serão os grandes diferenciais competitivos para garantir a conversão.
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