O cenário de inadimplência no Brasil iniciou 2026 com números preocupantes. De acordo com o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, o país registrou 73,3 milhões de consumidores negativados em janeiro, o pior resultado da série histórica.
Esse volume representa 43,88% da população adulta brasileira. Na comparação com janeiro de 2025, o número de devedores cresceu 9,39%. Já na variação mensal (dezembro/2025 para janeiro/2026), o avanço foi de 0,85%. O dado reforça que a inadimplência no Brasil permanece em trajetória de alta, exigindo atenção estratégica do setor empresarial.
Crescimento das dívidas de longo prazo preocupa
Um dos pontos mais sensíveis do levantamento é o aumento das dívidas com tempo de atraso entre 4 e 5 anos, que cresceram 34,30% no comparativo anual. Esse dado indica um problema estrutural, pois não se trata apenas de dificuldades pontuais, mas de consumidores que enfrentam obstáculos prolongados para reequilibrar suas finanças.
Além disso, 52,71% dos adultos entre 30 e 39 anos estão inadimplentes, totalizando 17,87 milhões de pessoas. Trata-se da faixa etária economicamente mais ativa do país. Quando esse grupo perde poder de compra, o impacto se espalha por diversos setores da economia.
Em suma, o comprometimento financeiro dessa parcela da população reduz o consumo das famílias e limita o crescimento sustentável ao longo do ano.
A inadimplência no Brasil apresenta distribuição relativamente equilibrada entre os gêneros: 51,27% mulheres e 48,73% homens.
Distribuição por região
Na análise regional, o crescimento anual do número de inadimplentes foi liderado pelo Sul (9,33%), seguido por Sudeste (8,89%), Norte (8,70%), Centro-Oeste (7,42%) e Nordeste (7,06%).
Contudo, quando se observa o percentual da população adulta negativada, o Centro-Oeste lidera, com 47,31%. Por outro lado, o Sul apresenta a menor proporção, com 39,51%.
Essas diferenças regionais exigem que empresas adotem estratégias comerciais ajustadas à realidade de cada mercado.
Valor médio das dívidas e setores mais impactados
Em janeiro de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 4.898,02 e possuía débitos com aproximadamente 2,26 empresas credoras.
Quase três em cada dez consumidores (30,65%) tinham dívidas de até R$ 500. Esse percentual sobe para 43,42% quando consideradas dívidas de até R$ 1.000. Isso demonstra que parte relevante da inadimplência está concentrada em valores relativamente baixos, entretanto suficientes para restringir crédito e consumo.
Evolução das dívidas por setor
O número de dívidas em atraso cresceu 15,76% em relação a janeiro de 2025 e 1,88% na comparação mensal.
Entre os setores credores, destacam-se:
- Água e Luz: crescimento de 24,81%
- Bancos: alta de 15,08%
- Comunicação: aumento de 9,71%
- Comércio: variação de 1,80%
Em participação total, o setor bancário concentra 65,59% das dívidas, seguido por Água e Luz (11,00%), Outros (9,14%) e Comércio (8,84%).
Esse cenário reforça que o crédito, embora essencial para a economia, pode se tornar um fator de risco quando não acompanhado de planejamento financeiro adequado.
O que esses números significam para as empresas?
Para o ambiente empresarial, a inadimplência no Brasil exige revisão de políticas de crédito, análise mais criteriosa de concessão e fortalecimento de estratégias de cobrança e recuperação.
Entretanto, a solução não depende apenas das empresas. É necessária uma combinação entre políticas públicas eficazes, educação financeira e oferta de crédito responsável, pois o equilíbrio entre consumo e capacidade de pagamento é determinante para a estabilidade econômica.
Em suma, os dados de janeiro sinalizam que 2026 começa sob cautela. Organizações que monitoram indicadores, ajustam sua estratégia comercial e investem em inteligência de crédito tendem a atravessar esse cenário com maior segurança.
Se sua empresa precisa entender melhor os impactos desse cenário e estruturar estratégias mais seguras de crédito e recuperação, Entre em contato com nosso consultor.


