O Dia dos Pais 2026 deve movimentar cerca de R$ 29,7 bilhões nos setores de comércio e serviços, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), do SPC Brasil e da Offerwise Pesquisas. A pesquisa revela que 63% dos consumidores pretendem comprar presentes, o equivalente a aproximadamente 104 milhões de pessoas nas capitais brasileiras.
Apesar do elevado interesse pela data, o número de compradores apresenta uma leve retração em comparação ao ano anterior. O cenário reflete um consumidor mais cauteloso diante do orçamento, pois o aumento do custo de vida e o endividamento continuam impactando as decisões de compra.
Consumidores pretendem gastar mais, mas orçamento ainda preocupa
Entre os entrevistados, 36% afirmam que gastarão mais do que em 2025, enquanto 34% pretendem investir o mesmo valor e 17% planejam reduzir os gastos.
Para quem aumentará o orçamento, o principal motivo é oferecer um presente melhor ao pai (61%). A alta dos preços também pesa na decisão, sendo mencionada por 38% dos consumidores. Já aqueles que pretendem gastar menos apontam como principais razões o orçamento apertado (40%), a necessidade de conter despesas (39%) e o pagamento de dívidas (18%).
O gasto médio previsto para o Dia dos Pais 2026 é de R$ 286, com a compra de aproximadamente 1,8 presente por consumidor.
Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, a redução no número de compradores demonstra que muitas famílias estão operando no limite de sua capacidade financeira. Embora a intenção de presentear permaneça elevada, manter as contas em dia tornou-se prioridade para uma parcela significativa dos consumidores.
Pesquisa de preços se consolida como estratégia de economia
Antes de realizar as compras, 77% dos consumidores afirmam que irão pesquisar preços. A maioria inicia essa busca com pelo menos duas semanas de antecedência, buscando promoções e melhores condições de pagamento.
A pesquisa acontece principalmente pela internet. Sites e aplicativos lideram a comparação de preços, enquanto as redes sociais também exercem influência. Entretanto, as lojas físicas continuam desempenhando um papel importante, especialmente shopping centers e lojas de rua, onde muitos consumidores conferem valores antes da decisão final.
Entre os canais digitais, marketplaces, sites de grandes varejistas e mecanismos de busca concentram o maior volume de pesquisas.
Roupas, cosméticos e ferramentas lideram as intenções de compra
Assim como nos últimos anos, roupas, calçados e acessórios continuam sendo os presentes mais procurados, representando 62% das intenções de compra.
Na sequência aparecem:
- Cosméticos e perfumes (27%);
- Ferramentas (18%);
- Eletrônicos (16%);
- Artigos esportivos (16%);
- Dinheiro ou PIX (10%).
A pesquisa também mostra uma mudança no comportamento dos consumidores. Cerca de 46% consideram presentear com produtos seminovos em perfeito estado, motivados pela possibilidade de adquirir marcas de maior qualidade por preços mais acessíveis, encontrar itens exclusivos ou adotar um consumo mais consciente. Contudo, outros 46% ainda preferem presentes novos por associarem essa característica ao valor simbólico da data.
PIX lidera entre as formas de pagamento
A maioria dos consumidores pretende pagar o presente à vista. O PIX aparece como principal forma de pagamento, utilizado por 52% dos entrevistados, seguido pelo cartão de débito.
Mesmo assim, 41% afirmam que irão parcelar a compra, principalmente no cartão de crédito, com média de 3,4 parcelas.
Outro dado relevante mostra que 22% dos consumidores dividirão o valor do presente com familiares, especialmente cônjuges, irmãos e mães. Para muitos, essa estratégia permite adquirir um presente de maior valor ou reduzir o impacto no orçamento.
Lojas físicas continuam na liderança, mas compras online seguem em expansão
Mesmo com o crescimento do comércio eletrônico, 72% dos consumidores pretendem realizar as compras em lojas físicas, principalmente em shopping centers, lojas de departamento, lojas de rua e centros comerciais populares.
Por outro lado, 47% também pretendem comprar pela internet, utilizando principalmente aplicativos, sites de varejistas e redes sociais como o Instagram.
O levantamento destaca ainda o avanço do social commerce. Cerca de 40% dos consumidores já realizaram compras diretamente por links compartilhados no Instagram, WhatsApp ou TikTok, demonstrando que as redes sociais vêm ganhando espaço como canais de venda.
Endividamento preocupa durante o Dia dos Pais
Embora o desejo de presentear permaneça elevado, os dados revelam um cenário financeiro preocupante.
A pesquisa mostra que 37% dos consumidores que pretendem comprar presentes estão com contas em atraso, e, desse grupo, 73% possuem o nome negativado.
Além disso:
- 14% pretendem deixar de pagar alguma conta para comprar o presente;
- 30% reconhecem que irão gastar acima das próprias possibilidades;
- 19% ainda não sabem de onde virá o dinheiro utilizado na compra.
Entre aqueles que assumem gastar além do orçamento, o principal motivo é o desejo de demonstrar carinho ao pai, mesmo que isso comprometa a situação financeira.
Para equilibrar as contas, muitos consumidores afirmam que irão adiar compras pessoais, reduzir gastos com lazer e delivery ou parcelar despesas que poderão impactar os próximos meses.
O que esse cenário representa para o varejo?
Os números mostram que o Dia dos Pais 2026 continuará sendo uma das principais datas para o comércio brasileiro. Em suma, a intenção de compra permanece elevada, mas o consumidor está mais criterioso, pesquisa preços, compara condições de pagamento e busca alternativas para equilibrar o orçamento.
Para empresas e lojistas, esse comportamento reforça a importância de oferecer preços competitivos, condições de pagamento adequadas e uma análise de crédito eficiente, reduzindo riscos e proporcionando uma experiência de compra mais segura para todas as partes.
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